Horta, você também pode ter a sua - Por Mariana Tinêo
Já imaginou como seria bom ter uma alimentação saudável,
com ingredientes saborosos, coloridos, cheirosos, livres de
agrotóxicos, agentes químicos e conservantes? Na verdade, esse
sonho de consumo está bem perto da realidade, basta ter disposição
e um cantinho especial.
Hoje as pessoas estão redescobrindo o prazer de cultivar
parte de seus alimentos, mesmo que sejam apenas os temperos.

Um pouquinho de verde em casa já muda o ambiente e
incrementa a cozinha.
De acordo com Ana Paula Souza, arquiteta especializada no
desenvolvimento de hortas domésticas em áreas urbanas, o cultivo
doméstico, além de ser uma ótima atividade terapêutica,
proporciona às pessoas a descoberta do prazer gastronômico de
forma mais saudável.
“Quando as pessoas cultivam os próprios temperos ou alimentos
podem colhê-los sem agentes tóxicos, frescos, aproveitando
melhor os nutrientes e a energia vital de cada planta, já
que a cadeia que existe tradicionalmente desde a produção dos
alimentos até o armazenamento e o transporte é encurtada”,
ressalta Ana Paula.
Outra vantagem do cultivo doméstico, segundo a arquiteta,
é a facilidade de ter à mão os ingredientes mais usados ou mais
apreciados. “Isso estimula a nossa criatividade gastronômica e
nos permite cuidar melhor de nós mesmos. Quando cultivamos
uma hortinha entramos em contato com a terra, nos
aprofundamos e observamos os ciclos naturais. As tarefas necessárias,
como a insolação, a rega, a poda, a adubação e a
colheita, nos oferecem uma relação de cuidado e prazer, que nos
neutraliza e nos aproxima da natureza”, comenta.
A arquiteta diz ainda que a hortinha doméstica é um item
elegante para a decoração da casa. “O verde das ervas, em composição
com os recipientes escolhidos, torna atraente um cantinho
da varanda, por exemplo. Um lugar da casa que muitas vezes
nem era percebido ou apreciado. Os temperos perfumam o
ambiente e trazem alegria também.”
Em apartamentos
Para desfrutar do prazer de cultivar temperos ou pequenos
alimentos, não é necessário dispor de uma casa com um grande
quintal. Os moradores de apartamentos também podem ter sua
hortinha doméstica, desde que exista um espaço onde bata sol
diariamente.
“Para começar, quem vive num apartamento deve observar qual
o espaço com melhor insolação, porque as plantas geralmente precisam
de duas a três horas diárias de sol. Depois disso, devem escolher
vasos com boa drenagem. Na verdade, para começar o cultivo é
indicado mexer mesmo na terra, descobrir através da observação
como aquela plantinha se desenvolve melhor e dar o que ela precisa:
rega diária ou alternada (depende da espécie), sempre pela manhã
ou fim do dia. As podas (que são o próprio consumo da planta)
e a adubação mensal também são importantes, porque quando o
solo está saudável, não aparecem as temidas pragas. Portanto, o
cuidado é o melhor remédio”, explica Ana Paula.
Ela recomenda ainda que na hora da escolha das ervas e
hortaliças a serem cultivadas, o local da plantação seja mensurado
com cuidado. “As ervas, por exemplo, são ótimas para pequenos
espaços. Já as hortaliças precisam de canteiros maiores e de
bastante insolação. Também é importante observar e planejar
itens como quantas pessoas consumirão os produtos da horta e
quem cuidará dela, assim fica mais fácil definir a escolha das
espécies de plantas.”
Entre as ervas utilizadas com
mais freqüência em hortas domésticas,
Ana Paula cita a salsa, a cebolinha,
o manjericão, o alecrim, o tomilho, a
sálvia, as pimentas, o capim-limão, a
hortelã e a erva-cidreira. Entre as
hortaliças e as leguminosas, as mais
simples e comuns para quem tem
mais espaço e bastante sol são: alface,
rúcula, tomate, pimentão, couve, rabanete,
cenoura.
Resultados
Acostumada a desenvolver projetos
de hortas em áreas urbanas,
Ana Paula nota a diferença no comportamento
das pessoas após o cultivo doméstico.
“A experiência de trazer o verde para
dentro de casa é sempre notável. Além da beleza, a diferença
do desenvolvimento de cada espécie, o aroma misturado
com o cheiro da terra e o fato de colher com as próprias mãos
algo que foi cultivado em casa são experiências que vão além
do prazeroso, tocam nossa essência”, declara.
A arquiteta esclarece que uma horta demanda mais cuidados
que o cultivo de plantas ornamentais. “Sabemos que hoje
nossa vida é corrida e estressante, tentamos equilibrar todas as
tarefas e geralmente deixamos o que mais nos agrada em segundo
plano. Mas as pessoas já estão descobrindo o caminho
de volta. Sabem que a casa não deve só estar bonita para receber
os amigos, mas deve ter a nossa cara, ser o nosso canto. Um
lugar onde nos reenergizamos. O cultivo da horta doméstica pode
até ser um pouco difícil no início, mas como funciona como uma
terapia, a atividade traz benefícios, nos torna mais saudáveis,
deixa a casa mais aconchegante. Então, a recompensa é muito
maior que o investimento.”
Segundo Ana Paula, o cultivo doméstico também ajuda na
educação ambiental, pois com as plantas caseiras é possível fazer
com que os filhos cresçam não apenas tendo prazer em mexer
na terra, mas principalmente respeitando e entendendo os
ciclos naturais de nascimento, crescimento, reprodução e morte
dos organismos vivos. Uma lição que pode influir no comportamento
de toda uma geração, a fim de torná-la capaz de cuidar
melhor do nosso planeta.
Sendo assim, não perca tempo. Escolha sua planta preferida
e prepare um vasinho. Observe, aprenda, mexa na terra. Aproveite
a oportunidade de ter um hobby saudável. Se preferir, peça
orientação profissional. Traga o verde para perto de você.