Caia na Folia - Por Mariana Tinêo
O carnaval é a festa mais aguardada pelo povo
brasileiro. Música, alegria, brincadeiras e fantasias
animam os foliões que utilizam os dias de festa para
relaxar, viajar, esquecer os problemas, a rotina, a crise...
o que importa é se divertir.
A ideia inicial de carnaval chegou ao Brasil pela
influência de nossos colonizadores europeus.
Portugal nos trouxe o entrudo, uma espécie de brincadeira
em que as pessoas atiravam água e farinha
umas nas outras. Já em cidades como Paris e Veneza
as comemorações eram feitas com bailes de máscaras
e desfiles de fantasias nas ruas. Os principais
personagens dessas festas, o pierrô, a colombina eo rei momo, acabaram sendo incorporados pelo
nosso povo.
Com o passar dos anos, as tendêncas trazidas
pelos europeus foram se misturando à cultura
popular nacional e nossa forma de comemorar o
carnaval foi se moldando, com bailes em salões,
concursos de fantasias, desfiles de blocos e escolas
de samba até a chegada do carnaval baiano,
com os trios elétricos.
Nosso carnaval cresceu tanto que se transformou
em um produto comercial, e de exportação,
pois são muitos os estrangeiros que vêm nos
prestigiar, querendo inclusive desfilar nas escolas
de samba ou participar dos trios elétricos da
Bahia. A procura pela festa é tanta que carnavais
fora de época são organizados frequentemente
em diversas capitais do País. São as chamadas
micaretas, que levam centenas de pessoas a viajarem
atrás da folia durante todo o ano.
Blocos, escolas e trios
Os primeiros blocos de rua surgiram no País
no final do século 19. Eram os chamados corsos.
As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros
conversíveis e desfilavam em grupos pelas ruas
das cidades. A brincadeira foi pegando, mas ganhou
força mesmo com a criação das marchinhas
carnavalescas, músicas que deixaram o carnaval
ainda mais animado.
Confete, serpentina e lança-perfume eram
elementos fundamentais nos corsos. As famílias
ou grupos de foliões sentavam-se nos assentos e
na capota arriada dos carros, cantando ou jogando
serpentinas e confetes nos pedestres, que se
amontoavam nas beiras das calçadas para vê-los
passar.
Cada cidade possuía um local para o corso.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o desfile ocorria,
principalmente, na Avenida Rio Branco, no centro.
Mas por vários anos o corso se prolongou
até a Avenida Beira-Mar, atingindo o Flamengo e
Botafogo.
Em paralelo, os compositores de samba dos
morros do Rio de Janeiro foram se organizando
até formar a primeria escola de samba, chamada
Deixa Falar, no Bairro do Estácio. E a partir daí o
carnaval de rua do Sudeste ganhou um novo formato:
novas escolas surgiram, organizaram-se em
ligas e criaram os campeonatos.
Já na Região Nordeste a tradição foi mantida
e até hoje as pessoas saem às ruas dançando
frevo e maracatu. Em Salvador, o espetáculo é
outro. Além dos trios elétricos animados por bandas
locais de sucesso, existem os blocos negros,
de origem africana como o Olodum e o Ileyaê.
Bailes famosos
Na década de 60 os bailes de salão eram a
marca do carnaval. Embalados pelas marchinhas,
os foliões fantasiados brincavam e dançavam até
a festa acabar. Eram festas de família, nas quais
as brincadeiras eram leves e a intenção era mesmo
se divertir, moderadamente.
Realizados em clubes, hotéis e salões de festas,
alguns bailes eram chiques e atraíam muitos
famosos. Em São paulo, por exemplo, até o Aeroporto
de Congonhas foi palco do carnaval,
sediando bailes promovidos pelo Clube Arakan.
No Rio havia o conhecido Baile do Scala e o do
Copacabana Palace.
Sugestões de fantasias:
• Cigana – basta uma saia longa e rodada,
uma blusa com ombros de fora, uma flor bonita
nos cabelos e um pouco de acessórios, especialmente
colares e pulseiras.
• Havaiana – um sarongue (saia tipo canga
com top) bem florido, flores no cabelo, nos tornozelos
e nos punhos.
• Colombina – um vestido com saia rodada
e alguns pompons. Neste caso é bom comprar
ou mandar fazer a fantasia.
• Mascarada – roupa toda preta e uma linda
máscara, cheia de brilhos, no rosto.
• Baiana – blusa branca, saia longa e rodada
de renda branca, um turbante branco, argolas
grandes nas orelhas e colares compridos de
miçangas.
Curiosidades
• O uso de fantasias
e máscaras de carnaval
fez muito sucesso no Brasil,
especialmente entre os anos
de 1870 e 1950. As roupas começaram
a diminuir quando os
materiais utilizados para sua confecção
passaram a ficar caros e as fantasias
foram então sendo reduzidas ao
mais sumário possível, em nome da liberdade
de movimentos e do calor do
período mais quente do ano.
• Durante o período do Império, as músicas
cantadas no carnaval brasileiro
eram árias de operetas. Mais tarde vieram
os lundus, os tanguinhos, as
polcas e até as valsas. No início do
século 20, predominaram nas ruas as
cantigas de cordões. Nos bailes eram
cantados os chorinhos lentos e as
marchas. Na era do rádio (1930 a
1960) o samba acabou dividindo espaço
com as marchinhas. No entanto,
com a consolidação dos desfiles das
escolas de samba, o samba-enredo
passou a ser a vedete do carnaval.
• O carnaval de Salvador cresceu tanto
que o evento ganhou uma página no
Guiness Book, sendo considerado a
maior festa de rua do mundo.